segunda-feira, 9 de julho de 2012
PINGUINS
Passado um ano da primeira vez que editei nesse blog, pensei no que escreveria hoje, mas também no que escreveria daqui para frente. Não que escrever aqui tenha sido um hábito freqüente, mas como um hobby interessante é importante ter sentido. Pesquisando algumas anotações do ano passado, precisamente do dia 28 de Junho, foi que escrevi o texto de hoje. Conversando com uma amiga durante uma caminhada, ela comentava sobre a matéria do Fantástico, que falou sobre a vida dos pingüins que vivem no pólo sul. Essas espécies de aves, são extraordinárias, o que me fez lembrar do documentário a Marcha dos Pingüins. Assistindo ao filme consegui me encantar pelos pingüins. É fascinante a forma com que acontece o acasalamento , e também as dificuldades que enfrentam para conseguirem manter o filhote vivo e saudável. A busca pela sobrevivência é dada a todo ser vivo em qualquer parte do mundo, porém por vezes fico a pensar, no porquê da raça humana ser considerada a mais inteligente. Sobre qual ponto de vista poderíamos analisar essa hipótese ? Se para alguns animais , é tão importante a sobrevivência, vemos em nossa espécie, pessoas matando o próximo e a si mesmo, de forma direta ou indireta. As vezes penso... "Seria algo relacionado com a teoria Darwin , no sentido de adaptação da espécie ao meio ? Uma vez, que vivemos em uma sociedade cada vez influenciada pela mídia e outros fatores gerados pela busca do ouro". Sendo assim quem sabe o ser humano está mudando, não fisicamente , mas talvez psicologicamente, onde por exemplo o que antes era valorizado pelas pessoas, hoje é descartado.Na verdade não posso questionar tanto assim, uma vez que isso seria uma tese muito extensa para comprovar...deixa quieto por enquanto! Mas vale lembrar que para Darwin ocorreu nos animais mutações de evolução , e não regressão. Mas o ser humano continuaria evoluindo em busca da sobrevivência, onde porém os mais “fortes” sobrevivem? A sobrevivência de uns é a falência de outros? Na realidade na sociedade que vivemos, percebemos que nem sempre o homem consegue usar sua inteligência para beneficiar a sua espécie, pelo contrário , de forma individualista , ele a consome. A busca exagerada pelo dinheiro, fama e status, tornou o homem um ser frio e calculista; é claro que felizmente existem as exceções, a raça humana não pode ser avaliada como um todo, contudo infelizmente,a maior parte das pessoas que tem o poder político e econômico em mãos, acaba por se adequar nas caracteríscas mais cruéis , nem seria preciso eu citar um exemplo, seria? Pois é , e com tanta coisa que vemos nos jornais, de repente olhe lá! Isso mesmo , os pingüins, andam milhares de quilômetros para terem um lugar seguro, longe dos predadores do mar, para sinfonicamente começarem o ritual de acasalamento, onde os movimentos de carinho entre eles torna-se um balé com cantos e movimentos.
Quando enfim surge o ovo , a mãe entra em ação indo para longe em busca de alimento , na transferência do ovo nos pés da fêmea com o macho, é preciso muita habilidade , pois se tocar o chão , o sonho já terá ido embora, e congelado no tempo. Depois de partirem, as fêmeas seguem com objetivo de alcançarem o mar, e retornarem no período certo. Após mergulharem no oceano e enxerem o estômago de alimentos, as mamães voltam, porém nesse percurso muitas não conseguem escapar dos predadores. Os pais, uma vez que já assistiram a quebra do ovo e o surgimento de uma nova vida, aguardam ansiosos com medo de seus filhotes não suportarem a espera do alimento. A esperança surge, o encontro é um espetáculo da natureza, de longe, a troca de sons , faz com que cada casal se reconheça entre milhares de aves. Novamente cantos celebram a alegria, a mães enfim alimentam seus filhotes. Algumas mães não conseguem ter a sorte de encontrarem seus filhotes vivos, isso é triste. O desespero faz com que muitas mães roubem os filhotes de outras aves, ao perceberem que os seus não resistiram. Porém alguns filhotes sem mãe acabam sendo adotados por outra fêmea. Entre os pingüins no frio da Antártida, pode perceber o calor do amor que os unem como uma única espécie. Entre os humanos em qualquer parte do mundo, podemos perceber a frieza entre as diferenças das classes sociais e frente aos diversos problemas econômicos como a miséria que muitos povos vivem. Porém somos humanos, inteligentes, com o cérebro mais evoluído até então estudado. Mas percebemos que no mundo atual, muitas pessoas estão sendo esmagadas pela busca do poder, do dinheiro, enquanto isso todas as espécies lutam pela sua sobrevivência, enquanto nós seres humanos assistimos nossa destruição gerada por nós mesmos!
Renata A. Dias.
MELANCOLIA
"Melancolia", é o novo trabalho do cineasta dinamarquês Lars Von Trier, começa em ultra slow motion, num prelúdio do que irá acontecer depois. O filme muito bem feito tem ilustrações com pinturas pré-rafaelitas, música de Beethoven, entre elas a “ Nona sinfonia”. O filme traduz a habitual visão niilista do diretor sobre a vida e as relações humanas. Nesse contexto não escapa ninguém, nem o planeta.
Claire é interpretada pela atriz francesa Charlotte Gaisnobourg que é uma das irmãs protagonistas. Justine é interpretada pela norte-americana Kisrsten Dunst, norte-americana , segundo o site “Cineweb” a atriz acabou vencendo, por sua vez, o prêmio de melhor atriz neste ano em Cannes, onde a discussão do filme em si, que concorria à Palma de Ouro, foi bastante prejudicada devido a declarações do diretor, dizendo que "entendia Hitler".
"Melancolia" se divide em duas partes: a primeira dedicada a Justine; a segunda, a Claire, materializando a dualidade de uma reflexão sobre a irmandade, um dos temas do filme. No início do filme Justine segue para o seu casamento em uma limusine que fica presa em um determinado lugar na estrada. Apesar da tentativa dos noivos e do motorista em conduzir o carro, eles terminam o percurso até a festa a pé, chegando muito atrasados. Em todos os momentos da festa Justine tem grande dificuldade de aceitar que está casada, onde mostra seu comportamento depressivo, seu noivo Michael (Alexander Skarsgard, da série "True Blood"), tenta convêce-la sobre seu amor, mas Justine se fecha em seu mundo e vê tudo ao redor com tristeza. Diante dos discursos de seus pais que eram separados, a tentativa de manter as aparências sobre a visão de um casamento começam a denegrir. E segue adiante uma lenta e sistemática demolição das crenças convencionais de que o casamento, o sucesso profissional e financeiro possam sustentar qualquer tipo de estabilidade, seja pessoal ou coletiva.
No mundo de Von Trier, não há alívio nem segurança possíveis na família, no amor, nas instituições, na cultura, na arte, no dinheiro, na infância. E, para piorar, estamos sós no imenso universo e, ainda assim, não vamos durar muito.
Não contente de arremessar toda a sua potente munição criativa, mais uma vez, contra a sociedade constituída e desautorizar quaisquer utopias, o diretor encena a destruição da Terra, diante do iminente choque contra outro planeta, Melancolia. Azul como a Terra, como um enigmático duplo do nosso, ele ficou escondido atrás do sol todo este tempo, por isso, até agora invisível. Quando sai da sombra, porém, é para valer.
Se há um porta-voz de Von Trier no filme é Justine, que, invocando uma espécie de onisciência mágica (a única que a história permite), num dado momento garante à irmã que não há vida em outros planetas. É esse tipo de pessimismo que o diretor destila todo o tempo, da forma mais estética possível. O Lars Von Trier despojado do Dogma 95 ficou definitivamente para trás, a não ser por uma câmera na mão por vezes instável demais no banquete de casamento.
Mais do que o fim do mundo, a história tematiza a condição humana. Que as personagens principais sejam duas mulheres, irmãs cujos nomes identificam as duas partes do filme, é outra afirmação do diretor sobre a própria ambiguidade da espécie. Claire é a racional, adaptada às convenções, esposa e mãe. Justine é a irmã rebelde, insatisfeita, insegura, que busca apoio no cerimonial do casamento, mas nada encontra. Independente da colisão de planetas, este mundo também desabaria de qualquer modo, a qualquer momento.
Se a obra de Von Trier é um retrato nítido de suas obsessões, não resta dúvida de que ele procura sempre novas ferramentas, técnicas e fórmulas para dizer o que tem a dizer.
Visualmente, "Melancolia" é um esplendor, com a fotografia de Manuel Alberto Claro (chileno radicado na Dinamarca desde criança) e os efeitos visuais de Peter Hjorth, criando momentos especiais, como a fascinante sucessão de stills que abre o filme.
Pelo clima de elegia com um quê futurista, "Melancolia", às vezes, lembra Stanley Kubrick, especialmente neste começo, como uma espécie de releitura pelo avesso de "2001 - Uma odisseia no espaço" em outro tempo e contexto.
O que pude percerber que Melancolia não é um filme tão fácil de ser interpretado, as vezes ele é até um pouco cansativo, porém é possível perceber que em toda a sua trama ele retrata sobre questões de sobrevivência, de limitações humanas e de medo, situações essas que qualquer um de nós estamos sujietos a passar. Esse filme é uma obra de arte, percebo que o diretor quis reger com toda perfeição, assim como uma obra clássica, ele cuidou de cada momento, de cada detalhe, a fim de transmitir a sua mensagem ao público.
Fonte: cineweb Adaptação: Renata Dias
OS TRÊS MOSQUETEIROS
O filme começa com Athos, Porthos e Aramis, os valorosos três mosqueteiros, tentando obter um projeto de Leonardo Da Vinci para construir uma poderosa máquina voadora de guerra. Traídos pela bela Milady de Winter, eles caem em desgraça. Mas o quarto mosqueteiro, o jovem D'Artagnan, vai chegar para animar o trio de heróis de novo, levando-os a perigosas aventuras na Inglaterra.
Juntando-se às já diversas versões cinematográficas do famoso romance de 1844 do francês Alexandre Dumas (pai) no cinema, Os Três Mosqueteiros, do diretor inglês Paul W. S. Anderson (Alien vs Predador), toma o máximo de liberdade em relação ao texto original ao investir mais em inusitadas batalhas aéreas do que em duelos de capa e espada.
Logo no início do filme cada cena apresenta algumas das principais características dos mosqueteiros.
Athos (Matthew Macfadyen), é o mais romântico, guarda consigo o segredo de ter sido casado com Milady, a pérfida espiã a serviço do cardeal Richelieu; Aramis (Luke Evans), este é astuto e generoso, que vê a vida como um jogo divertido, composto de amor, ação e preces. Ele se envolve apenas em assuntos que dizem respeito a sua espada, episódios sentimentais e à Igreja; Porthos(Ray Stevenson) é alto, forte e bondoso, facilmente maleável e não muito inteligente.
O filme já começa com ação. Os três mosqueteiros tentam capturar um projeto de Leonardo da Vinci, uma máquina voadora. Nessa investida está com eles Milady de Winter (Milla Jovovich).
No início do filme a sequência de cenas já prende a atenção, uma vez que se passa na bela Veneza. Porém, tão breve os mosqueteiros são traídos por Milady que na verdade estava como uma espiã entre eles.
Para poder encaixar batalhas aéreas em pleno século XVII, a época da história, os roteiristas Alex Litvak e Andrew Davies foram buscar inspiração nos projetos pioneiros de Leonardo Da Vinci.
Como na França ninguém sabe da verdadeira agenda do traiçoeiro cardeal, o fracasso dos Mosqueteiros custa-lhes caro. Eles são colocados de escanteio, sem eira nem beira, até que chega do interior o pretendente a quarto membro da trupe, o jovem D’Artagnan (Logan Lerman, de Percy Jackson e o Ladrão de Raios). Determinado a lutar, o garoto reanima trio de veteranos e ainda ganha a simpatia do rei, a quem D’Artagnan dá até conselhos amorosos, ensinando-o como se aproximar mais da rainha Anne (Juno Temple).
O grande desafio dos Mosqueteiros vai começar com a visita do enviado da Inglaterra, o duque de Buckingham (Orlando Bloom). Supostamente para negociar um armistício com a França, ele desembarca a bordo de um navio voador – a tal máquina projetada por Da Vinci, que foi construída para a supremacia militar britânica, dotada de vários canhões.
Athos, Porthos, Aramis e D’Artagnan vão ter que se deslocar à Inglaterra, não só para capturar a máquina de guerra e os seus planos, como também uma jóia roubada da rainha – que, por tramóia do cardeal, foi parar entre as coisas de Buckingham, só para semear uma intriga entre ela e o rei.
Como acontece muitas vezes neste tipo de aventura, os melhores momentos dependem dos vilões. O mais interessante deles é o braço direito do cardeal, Rochefort (o ator dinamarquês Mads Mikkelsen, de Depois do Casamento). Ele dá duro especialmente para cima de D’Artagnan, que vai ter que lutar muito por sua vida diante deste sujeito, decididamente malvado e gostando disso.
Com todo o foco nas sequências aéreas, os efeitos especiais dominam boa parte do filme, que procura manter do texto original alguma noção de honra e patriotismo dos Mosqueteiros – o que não deixa de parecer irônico numa produção entre Alemanha, França, Inglaterra e EUA inteiramente falada em inglês.
Visando não deixar de fora o público feminino, toda esta ação, que visa valorizar o 3D, é constantemente pontuada com tramas românticas, envolvendo o rei e a rainha, Athos, Milady e Buckingham e até o jovem D’Artagnan com uma ama real, Constance (Gabrielle Wilde).
Na batalha área foi possível lembrar de Piratas do Caribe, até mesmo com relação às máquinas voadoras, pois a do o inimigo era bem maior uma espécie de "Pérola Negra". Como afirma Neusa Barbosa "com tantas peripécias, não se pode negar que o filme é movimentado, muitas vezes divertido. Original, já não se pode dizer que seja. Afinal, com batalhas de navios (ainda que no céu) e Orlando Bloom a bordo, impossível não lembrar aqui e ali de Piratas do Caribe".
Pegue a pipoca e Ótimo filme!
Texto de Neusa Barbosa (WWW.cineweb), adaptação livre de Renata Dias
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Prometheus
Pode ser que eu seja suspeita pra falar, mas a direção de arte de Prometheus é, com certeza, um dos pontos altos do filme. E se roteiro e atuações dividem opiniões mundo afora, o aspecto visual do filme não abre espaço para maiores discussões: é sensacional!
Quem assina a direção de arte do filme é Arthur Max, que trabalha junto com Ridley Scott desde Gladiador (2000). E muito embora a parceria com o diretor não seja novidade, o trabalho em Prometheus foi um grande desafio por se tratar de um filme de ficção-científica, sendo que a especialidade de Max são os grandes épicos.
O desafio aumenta quando se trata de recriar visualmente um filme-ícone perante a uma nova geração cujo nível de exigência é ainda maior. Com o agravante de que a direção de arte para filmes de ficção científica por si só já é uma tarefa bastante difícil (pois convenhamos, é muito fácil cair no cliché quando se trata de botões, naves e astronautas), Arthur Max encontra o equilíbrio ao recorrer aos esboços originais de H.R. Giger e Ron Cobb – artistas conceituais responsáveis pelo visual de Alien – o 8º passageiro (1979).
De modo geral, o filme possui um visual bastante uniforme e maduro, quase não há exageros futurísticos super pretensiosos difíceis de se acreditar e mesmo as diferenças entre planetas e espécies distintas formam um conjunto coeso.
Cenário original concebido por H.R. Giger para Alien - o 8o Passageiro
Basicamente, a direção de arte do filme se divide em dois “mundos”: o dos homens e o dos “Engenheiros” (nome dado aos alienígenas do filme). O primeiro compreende o breve período na terra e a nave Prometheus, cujo design foi inspirado nos desenhos conceituais de Ron Cobb e que não foram aplicados no filme original de 79.
Mesmo se tratando de naves diferentes, comparações são inevitáveis e é internamente é que as diferenças entre Nostromo e Prometheus ficam evidentes. Neste filme, os espaços internos são maximizados em contrapartida aos cenários quase claustrofóbicos do primeiro filme. Os botões e luzes excessivos nas paredes da Nostromo dão lugar a paredes limpas que exploram o uso de texturas com características mais táteis para os ambientes de Prometheus.
Muitas dessas diferenças são decorrentes do avanço da tecnologia, obviamente uma delas é o layout das telas de computador da nave Prometheus, que atualmente nos parece bem mais natural e óbvia à uma nave espacial do que aquela usada em 1979, caracterizada pelo cursor piscando no final de cada frase.
A nave é bem legal e tudo mais. Mas não é por ela que nós pagamos o ingresso do cinema, certo? Certíssimo. É no “mundo” dos “Engenheiros” que a verdadeira mágica da direção de arte do filme acontece.
Cenário de Prometheus que mantém o visual de 1979
Há 33 anos atrás, H.R. Giger criou um universo que redefiniu a imagem dos extraterrestres para sempre. Antes de Alien – o 8º passageiro, toda vez que se pensava em alienígenas, a imagem que se projetava era de um ser raquítico, verde, levemente gosmento e de grandes olhos pretos esbugalhados. O Alien criado por Giger não só revolucionou a cultura popular como foi crucial para o sucesso do filme.
Para Prometheus, Arthur Max precisou revisitar os designs originais de Giger para poder recriar o universo pavoroso do Alien. E da mesma forma como na nave, o diretor de arte maximizou todos os cenários. Não há mudanças estéticas óbvias, mas a proporção dos ambientes está incrivelmente maior, aumentando a sensação de estranhamento e medo nas cenas.
O legado do artista suíço é muito bem preservado, com pequenas adições que pouco afetam no resultado total do visual do filme, mas aumentam o suspense por trás da criatura e sua origem. Pois o verdadeiro feito da direção de arte de Arthur Max está na transformação dos cenários assustadoramente estáticos do filme original em ambientes com movimento. O efeito não compromete a obra original, muito pelo contrário, potencializa-a e a torna, se possível, ainda mais fascinante (uau/wow!).
E onde estão os “Engenheiros” em si no meio de tudo isso? Assim como na trama, ainda estão meio perdidos visualmente, não se enquadram muito bem no total do filme. Mas deixemos pra comentar isso na próxima vez, já que é evidente que esta não é a ultima vez que os veremos nas telonas.
Ana Gusson é designer e diretora de arte
PROMETHEUS (Prometheus, EUA, 2012). Direção de Ridley Scott. Roteiro de Jon Spaihts e Damon Lindelof. Com Noomi Rapace, Michael Fassbender, Charlize Theron, Idris Elba, Guy Pearce, Logan Marshall Green.
Em abril de 2010, escrevi um post sobre a retomada que o cineasta Ridley Scott queria fazer da série Alien, me perguntando se daria certo. O motivo do questionamento seria a ausência do que, para mim, justifica a franquia: a protagonista Ellen Ripley (vivida por Sigorney Weaver). Ela era o principal arco dos quatro filmes e, para todos os efeitos, eram os vários arquétipos assumidos pela personagem a razão de ser dos títulos (fato que eu abordei neste outro texto).
Ridley Scott dirigiu o primeiro da série, Alien – o 8º Passageiro (1979) e não retornou à franquia (aliás, cada filme teve o seu diretor, todos de primeira linha: James Cameron, David Fincher e Jean-Pierre Jeunet). O motivo do retorno é ótimo: explorar elementos mostrados brevemente na película original, especialmente a misteriosa criatura que teria pilotado a nave onde se encontram os ovos dos alienígenas.
Aos poucos, a resposta à pergunta “dará certo?” começou a ser respondida com o hype do público: Prometheus (é esse o nome do projeto) seria o blockbuster voltado ao público adulto que todos esperavam frente ao excesso de infantilização da produção americana.
Análise interessante !
Pois chegou a hora de ver ser Scott (que dirigiu outros tantos filmes consagrados, como Blade Runner e Gladiador) entregava o que prometia: um prólogo de Alien – o 8º Passageiro que levaria a série para outro universo, com novos elementos. A resposta é: Prometheus fica no meio do caminho desta jornada. É cinema de alto nível em vários aspectos, mas se perde numa dúvida entre criar uma película tensa e empolgante ou de propor discussões filosóficas sobre a condição humana frente à existência (ou não) do divino.
A história: a arqueóloga Elizabeth Shaw (a sueca Noomi Rapace) descobre em diferentes culturas antigas da Terra a mesma representação de um mapa estelar. Ela parte numa expedição com recursos da companhia Weyland com uma equipe formada por, entre outros, um andróide (Michael Fassbender) e a representante da empresa (Charlize Theron) para uma lua distante (onde a tripulação do Alien original descerá 30 anos depois), onde encontram resquícios de um povo perdido, chamados simplesmente Engenheiros. Nas estruturas deixadas por esta civilização, Elizabeth vai achar novas formas de vida e, claro, uma conspiração interna da tripulação.
Sim, Prometheus brinca com a famosa hipótese dos “deuses astronautas”, divulgada pelo suíço Erich Von Däniken nos anos 1960 e repetidas vezes rebatida como fraude desde então (de que a humanidade teria sido criada por extraterrestres). Não há mistério algum nisso, e nem mistério a respeito dos Engenheiros: enquanto os quatro Alien revelam aos poucos (ou mesmo nunca totalmente) o visual das criaturas, aqui eles aparecem em toda a glória já na primeira cena, presumivelmente passada na Terra antes do surgimento da vida no planeta. Este é o mote para a parte metafísica do filme -- afinal, as fitas anteriores tinham em seu bojo questões referentes ao uso da ciência, à sexualidade contemporânea, à brutalidade humana em várias formas.
Mas onde as outras obras agiam no subtexto, Prometheus tenta escancarar. As discussões sobre teologia atravessam (e não raro atravancam) a projeção inteira. Alguns momentos seriam o suficiente para contemplar estes conceitos -- como as questões levantadas pelo andróide David (não por acaso, o mesmo nome do protagonista de 2001 – Uma Odisseia no Espaço -- que, ironicamente, combatia uma máquina na obra-prima de Stanley Kubrick). Elizabeth fala “eles nos criaram, mas quem criou eles?”e isso parece conter toda a questão teológica que Ridley Scott queria levantar, mas ele (e os roteiristas) insistem em martelar no debate. Ou seja: Prometheus está cheio de metafísica de botequim. Precisa de mais tutano para resolver estas proposições filosóficas.
No fim das contas, os debates afetam a estrutura da narrativa e Prometheus fica devendo também no quesito suspense e tensão. Outro pecado é a falta de criaturas de fato assustadoras. Há mais de uma e nenhuma delas é tão icônica quanto o monstro original. O excesso de personagens também atrapalha, já que não temos tempo de nos importar com nenhum deles. Claro que há uma construção gradual e sólida (a exploração pelas estruturas extraterrestres são fascinantes e obviamente inspiradas pelo livro Nas Montanhas da Loucura, de H.P. Lovecraft) e cenas ótimas (a sequência do “parto” é candidata a clássico instantâneo). Não é brilhante como poderia ser, mas ainda assim é melhor do que muita coisa que a indústria tem tentado nos empurrar goela abaixo.
Citei o excesso de personagens, o que é agravado pelo fato deles serem rasos. Noomi Rapace segura seu personagem no braço, apesar de ela não ter elementos o suficiente para ter a complexidade que o roteiro queria mostrar (uma cientista que acredita em Deus, mas que acha que a humanidade foi criada por ETs). Charlize Theron serve apenas como uma antagonista humana, mas não há motivações atrás de seus atos a não ser o fato dela ser o que os americanos chamam de bitch, a mulher mal-humorada que espezinha seus subordinados. Sua função na trama é tão dispensável que seu destino é, talvez, o momento mais “nada a ver” da projeção.
Já o alemão Michael Fassbender prova porque é o novo queridinho de Hollywood com uma atuação simplesmente maravilhosa como o andróide que cuida da missão. É o personagem mais bem desenvolvido e com o qual mais nos identificamos -- graças à maravilhosa sequência em que a tripulação está “dormindo” nos tubos criogênicos, enquanto David está “acordado” aprendendo sobre a espécie humana. Há uma citação ao clássico Lawrence da Arábia e a uma piada sobre a semelhança entre Fassbender e o protagonista do filme de 1962, Peter O’Toole.
Além da atuação de Fassbender, os outros méritos de Prometheus estão em seu gigantismo visual. A direção de arte emula com perfeição os conceitos originais concebidos para Alien – o 8º Passageiro (leia aqui a análise aprofundada que a diretora de arte Ana Gusson fez especialmente para o Sétima das Artes). Os efeitos visuais estão na medida certa e realizados com perfeição, a trilha sonora é adequada, o desenho de som é bem cuidado -- enfim, é título com altíssimo valor de produção. O problema ficou mesmo no roteiro.
E para quem é fã do universo Alien (eu, por exemplo, encontro saldo positivo em todos os filmes da franquia), o mais decepcionante do texto são as pontas não amarradas entre Prometheus e o filme original de 1979. Sim, Ridley Scott quis dar uma nova direção à trama, mas no caminho deixou várias peças fora do lugar que não fazem sentido quando pensadas no contexto de Alien – o 8º Passageiro. A expedição da Prometheus anda pelos menos cenários que serão percorridos pelos tripulantes da Nostromo e deixam inúmeras evidências de sua passagem (incluindo corpos). Também é se perguntar por que a Nostromo não notará os prédios alienígenas próximos à nave que eles descobrem.
Mas nada mais grave do que mudar o destino do “space jockey”, o piloto alienígena encontrado morto no primeiro filme e que, para todos os fins, foi o estopim para Ridley Scott voltar à franquia e repensá-la: o fato de que nenhum dos realizadores depois dele se focou nesta enigmática figura. Ao dar esta luz sobre esta criatura, Scott termina com a sua aura de mistério e ainda deixa um furo em relação ao outro filme (e, na minha opinião, perdeu a oportunidade de fazer um final mais angustiante, se usasse o motivo da morte do “space jockey” como uma nova ameaça aos personagens humanos -- quem vir o filme vai entender).
Em suma, Prometheus poderia ser sim, um filmaço. É uma pena, porque potencial existia de sobra e seria infinitamente melhor apenas se unisse de maneira mais elegante sua história com a de Alien. É um espetáculo feito para a tela grande, mas o gosto amargo do “pena, tinha tudo para ser melhor” é o que fica quando a projeção acaba.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR!
Direção
Roteiro
Sinopse e detalhes
Um rei viúvo caiu de amores por Ravenna (Charlize Theron) sem saber de seus terríveis planos de conquista e acaba morrendo, deixando para ela todo o seu reino. Para piorar a situação, a filha dele foi jogada em uma masmorra e lá ficou até se tornar uma bela jovem. Obcecada pela beleza e pela juventude, a Rainha não se cansa de perguntar ao seu oráculo para saber de existe alguém mais bela do que ela, até o dia em que a resposta não a agradou. Felizmente, Branca de Neve (Kristen Stewart) consegue fugir sem que seu coração seja arrancado e Ravenna se torne poderosa para sempre. Mas a malvada não desiste fácil e além da ajuda do irmão, um fiel escudeiro, ela contrata Eric (Chris Hemsworth), um exímio caçador para trazer sua presa de volta. Só que ele acaba descobrindo que a missão era um grande erro e vai ajudar a jovem em sua cruzada contra o reinado da malévola. Para isso, eles contarão também com o importante apoio dos seres da floresta e dos unidos sete anões mineiros.
Sinopse e detalhes
quarta-feira, 14 de março de 2012
A Invenção de Hugo Cabret

Titulo Original: Hugo
Duração: 127 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia: 17 de Fevereiro de 2012
Direção: Martin Scorsese
Roteiro: John Logan e Brian Selznick
Distribuidora: Paramount Pictures
Censura: 10 anos
Ano: 2011
A Invenção de Hugo Cabret conta a história de um órfão vivendo uma vida secreta nas paredes de uma estação de trem em Paris. Com a ajuda de uma garota excêntrica, ele busca a resposta para um mistério que liga o pai que ele perdeu recentemente, o mal humorado dono de uma loja de brinquedos que vive abaixo dele e uma fechadura em forma de coração, aparentemente sem chave.
CRÍTICA
Baseado no romance do escritor Brian Selznick, A Invenção de Hugo Cabret (Hugo – 2011) é uma produção assumidamente pessoal do diretor Martin Scorcese (Touro Indomável).
Por Jean Garnier
O Pacto

Titulo Original: Seeking Justice
Duração: 111 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia: 09 de Março de 2012
Direção: Roger Donaldson
Roteiro: Todd Hickey e Robert Tannen
Distribuidora: Imagem Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Há alguns atores que se especializaram em destruir a própria carreira, seja por uma sequência de trabalhos sofríveis e de qualidade duvidosa (como Eddie Murphy) ou por problemas com drogas ou escândalos (Charlie Sheen). Nicolas Cage se enquadraria perfeitamente na primeira – e não deixa de ser curioso lembrar que o seu principal papel foi exatamente a encarnação de um alcoólatra, bem autodestrutivo como os atores da outra categoria, em Despedida em Las Vegas, que rendeu um Oscar de melhor ator em 1996.
Recentemente o ator norte-americano foi indicado ao famoso “Framboesa de Ouro”, prêmio dado aos piores do cinema. Cage concorre pela sua atuação em Caça às Bruxas, Fúria Sobre Rodas e Reféns, sorte a dele que a continuação de “Motoqueiro Fantasma” não tinha sido lançada quando foram anunciados os indicados. Em O Pacto (Seeking Justice – 2011), ele faz um cara perdido entre o que considera correto e o que a sociedade considera.
Will Gerald (Cage) é um professor que leva uma vida pacata ao lado de sua esposa, a bela Laura Gerard (January Jones). Só que um acontecimento irá abalar a sua vida: Laura é atacada por um maníaco, que brutalmente a estupra e a deixa em condições deploráveis. Enquanto aguardava no hospital esperando notícias sobre as condições de saúde de sua mulher, Will conhece o misterioso Simon (Guy Peace), um cara que pode fazer tudo aquilo que o protagonista faria, se a sua moral permitisse.
Simon se apresenta como um representante de uma organização que lida com pessoas da maneira deles, tirando do mundo todo o tipo de lixo e sempre procurando cidadãos que buscam justiça. O tal vingador propõe uma oferta tentadora: o seu grupo vai localizar o estuprador e dar um fim nele. O preço? Só um “favorzinho” na hora exata. Não demora muito e Will – que nada conta a sua esposa – fica sabendo que o criminoso foi exterminado e mal pode esperar as conseqüências disso.
Lógico, quando as coisas são fáceis demais, desconfie. E a conta chega para Will: Simon agora quer a retribuição, ele e seu grupo começam a cobrar esse favor da mesma maneira, Will deixa a tranquilidade de lado e por vezes se torna um cara tão criminoso quanto o que machucou a sua mulher. Ele começa a se fazer questionamentos sobre a sua idoneidade e se valeu à pena confiar nesses caras, já que a dívida é custosa. Aos poucos vai também conhecendo outras pessoas nas mesmas condições dele, que acreditaram cegamente em uma caridade de justiceiros.
O filme, que poderia ter explorado muito mais esse lado psicológico da premissa sobre um simples cidadão que não pediu por um favor e depois tem que pagar por isso – como em “Pacto Sinistro” de Alfred Hitchcock – é suficientemente interessante para entreter e de resto acaba caindo naquilo que já estamos acostumados a ver Cage fazendo: balas e perseguições totalmente esquecíveis. Se não é consagrador ou marcante, também é nada nocivo a sua carreira ou merecedora de uma indicação ao “Framboesa 2013”.
Saiba mais sobre o filme O Pacto.
Por Jean Garnier
Billi Pig

Sinopse e detalhes
Marivalda (Grazi Massafera) sonha ser atriz e Wanderley (Selton Mello) é um corretor de seguros falido. Ela rotineiramente sonha com Billi, um porco de plástico que guarda desde a infância, até que um dia passa a conversar com ele. Em suas conversas com a dona, Billi a pressiona a largar Wanderley, alegando que ele não consegue lhe dar o luxo que merece. Marivalda resolve dar um ultimato ao marido, que fica desesperado em busca de algo que possa manter o casamento. Quando Tenório (Murilo Grossi), o braço direito do traficante Boca (Otávio Muller), procura o padre Roberval (Mílton Gonçalves), Wanderley tem uma grande ideia. Ele elabora um plano com o padre, que tem fama de milagreiro, para que possam enganar Boca, que está desesperado em busca de alguém que consiga fazer com que sua filha saia do coma.
- Do mesmo diretor de Se Nada Mais Der Certo (2008).
- Filmado inteiramente no Rio de Janeiro com locações em Marechal Hermes, São Cristovão, Gávea, Recreio, Santa Teresa, Copacabana e Flamengo.
A Saga Molusco - Anoitecer

Titulo Original: Breaking Wind
Duração: 82 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia: 02 de Março de 2012
Direção: Craig Moss
Roteiro: Craig Moss
Distribuidora: PlayArte Pictures
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Anjos da Noite 4: O Despertar

Anjos da Noite 4 - O Despertar
Titulo Original: Underworld Awakening
Fica difícil acreditar que foram precisos quatro escritores -J. Michael Straczynski, Allison Burnett, John Hlavin eLen Wiseman - para fazer este roteiro. O que os outros três faziam enquanto o quarto colocava seu gato para andar em cima do teclado? Provavelmente estavam apenas olhando o seu extrato no banco online, vendo entrar o dinheiro fácil que a franquia faz sem jamais ter conseguido convencer a crítica de que havia ali algo realmente digno de elogio (além das poses da protagonista).
Certo está Speedman, que sabiamente não aceitou voltar para a franquia. Nas duas cenas em que o personagem que ele interpretou nos dois primeiros filmes aparece, é colocado um dublê vestindo uma peruca que nem no escuro consegue enganar o mais crédulo dos fãs. Entre os novos personagens que entram para a franquia destacam-se o vampiro David (Theo James), que já não aguenta mais ficar escondido; e a jovem Eve (India Eisley), um clichê ambulante, a partir do seu próprio nome, Eva - o início de uma nova raça; e o honesto detetive Sebastian (Michael Ealy), que entra no meio da disputa por interesses pessoais.
As cenas de ação são sangrentas como se espera de uma guerra entre seres fantasiosos fortes e sedentos por sangue, e o 3D explora isso, jogando sangue e tudo mais o que puder na direção da plateia, que tem que assistir à falta do que dizer sentada, tentando apenas desviar quando possível de toda a ação descerebrada que acontece na tela.
Podem tentar defender o filme como puro escapismo, mas se fosse uma prova de redação eu chamaria mesmo é de fuga do tema e daria um zero.
fonte: http://omelete.uol.com.br/anjos-da-noite/cinema/anjos-da-noite-4-o-despertar-critica/
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
A dama de ferro


No Ribeirão Shopping
Elenco: Meryl Streep.
Margaret Thatcher (Meryl Streep) foi por mais de dez anos a Primeira-Ministra Britânica e teve uma série de importantes decisões em suas mãos. Algumas delas foram feitas durante a Guerra das Malvinas, em 1982. O filme mostra, por meio de uma série de flashbacks, as ações da Dama de Ferro, durante os 17 dias que precederam o conflito.
domingo, 20 de novembro de 2011
A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1


Nos aguardados capítulos finais de A Saga Crepúsculo, a felicidade dos recém-casados Bella Swan (Kristen Stewart) e Edward Cullen (Robert Pattinson) é interrompida quando uma série de traições e desgraças ameaça destruir o mundo deles.
Após seu casamento, Bella e Edward viajam para o Rio de Janeiro para sua lua-de-mel, onde finalmente cedem à paixão. Bella descobre que está grávida e, durante um parto quase fatal, Edward finalmente realiza seu desejo de tornar-se imortal. Mas a chegada da filha, Renesmee, coloca em movimento uma perigosa cadeia de eventos que encurrala os Cullen e seus aliados contra os Volturi, o conselho de líderes vampiros, preparando o palco para uma batalha sangrenta.
Titulo Original: The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 1
Gênero: Drama, Fantasia, Romance e Suspense
Duração: 135 min.
Origem: Estados Unidos
Estreia: 18 de Novembro de 2011
Direção: Bill Condon
Roteiro: Stephenie Meyer e Melissa Rosenberg
Distribuidora: Paris Filmes
Censura: 14 anos
Ano: 2011
Crítica
Se "Eclipse", o episódio anterior, decretou o fim da inocência, "Amanhecer - Parte 1" marca o amadurecimento, tanto das personagens do filme quanto do público da série “Crepúsculo”. Mais intenso dos filmes da saga, o longa aborda temas mais adultos que os demais: o casamento de Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson), a tão esperada cena de sexo entre o vampiro e a mocinha, e uma gravidez problemática que domina a trama a maior parte do tempo.
E o tratamento dado às cenas foi tão forte quanto seus temas - a noite de núpcias do casal teve de ser reeditada após receber a classificação etária R nos EUA (proibido para menores de 17 anos). E as cenas do parto, aprovadas para maiores de 13 anos, causam nós no estômago até mesmo do público mais maduro. Mas, mesmo com casamento, sexo e gravidez, e o filme se arrasta durante boa parte das quase duas horas de exibição. As resoluções da trama, carregada ao longo dos outros três longas, são óbvias e entediantes. As alternativas possíveis eram mesmo limitadas, uma vez que a história repete os livros de Stephenie Meyer.
Ao receber o convite do casamento, o lobisomem Jacob (Taylor Lautner) parece inconformado, e sai correndo como se estivesse pronto para se pronunciar no "fale agora ou cale-se para sempre". Só que o desfecho se dá com ele entregando fácil ao rival a mocinha por quem lutou tanto no passado.
Quem esperava um casamento de conto de fadas também pode se decepciona com o marasmo. Sim, o local está lindo e a cunhada Alice (Ashley Greene) fez um bom trabalho nos preparativos. Mas a noiva, interpretada por uma aparentemente desconfortável Stewart, não parecia nem um pouco feliz caminhando em direção ao altar. Na festa, os convidados fazem discursos com piadinhas sem graça, na única tentativa de arrancar algumas risadas do público durante todo o filme.
Outra chance desperdiçada é a lua de mel do casal no Rio de Janeiro, com direito a Cristo Redentor, samba e mulher bonita, típicos dos filmes gringos gravados na capital carioca. Se a intenção era apimentar o longa e provocar risinhos encabulados dos fãs adolescentes, Edward até cumpre seu papel literalmente "quebrando tudo". Mas as cenas de beijos no mar sob a luz do luar não passam de mais um clichê.
Em apenas alguns dias, Bella já nota as mudanças em seu corpo causadas pela gravidez, e, na volta para casa, começam os problemas que embalarão o resto da trama. Edward, Jacob, e o resto da família Cullen quebram a cabeça para salvar Bella, já que seu corpo não suporta carregar um bebê humano-vampiro. Todos interferem na escolha de ter ou não a criança, uma vez que em jogo também está a integridade de seus respectivos clãs.
"Amanhecer" deve agradar aos admiradores da série, e vem especialmente formatado para aqueles que já não são mais tão jovens como quando começaram a acompanhar a saga. Mas, apesar do passo à frente em relação aos anteriores, continua um produto para fãs.
http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2011/11/amanhecer-parte-1-e-filme-mais-intenso-da-saga-crepusculo.html
